Medo do Conflito

Medo do Conflito

Medo do Conflito

Nesse caminho espiritual vejo muitas pessoas tentando viver a não-violência, tentando ter uma vida na luz, sem conflitos, tentando harmonizar casamento, relacionamentos familiares, se dar bem com filhos, com as pessoas. Até aí tudo bem, e até me incluo nesse grupo, porque sou da paz, e acho que a paz deve habitar o nosso coração. Mas em hipótese alguma podemos ser falsos ou coniventes com coisas que sejam contra o nosso código de ética e de valores.


Podemos ser amorosos, criaturas do bem, mas não podemos fechar os olhos para injustiças, e ser cúmplices de mentiras, porque se agirmos assim perdemos a força interior e, sem querer, por medo de conflitos, acabamos abrindo mão de valores da alma.

Foi assim que recebi Marilize, mulher de seus 40 anos, bonita, mas muito mal tratada. Sua história nesta vida era parecida com a de muitas mulheres. Separada, tinha apostado tudo num segundo relacionamento que aconteceu depois de ter os filhos crescidos; um amor que ela imaginou que fosse durar o resto de sua vida, e ainda agora tentava fazer dar certo. Porém, seus olhos eram tristes, sem vida, sem esperança. E por que tudo isso?

Porque ela estava abrindo mão de suas crenças, seus limites estavam se tornando flexíveis demais. O homem por quem ela se apaixonou e que se dizia separado continuava casado e, na verdade, não tinha plano de se separar. Ela envolvida, apaixonada, foi se desfazendo em amor. Um dia suportou a confirmação da notícia de que ele ainda era casado, no outro, suportou a viagem que ele faria com a esposa para a Europa porque já estava tudo pago, no outro suportou vê-lo ajudar a filha mais nova a comprar um apartamento e se endividar colocando por água abaixo o sonho de assumir sua história com ela. Enfim, Marilize foi perdendo forças, perdendo auto-estima, aceitando tudo com medo de um conflito, com medo de dizer o que pensava. Mas quando nos encontramos e conversamos, depois da sessão de vidas passadas, percebi que isso não acontecia apenas com o namorado e, sim, com tudo na vida dessa mulher.

Não adiantava nada ser linda, ainda jovem, trabalhar e se sustentar financeiramente porque suas emoções estavam arruinadas. Ela era linda e fraca!

A sessão de Vidas Passadas mostrou uma dirigente de um grupo de amazonas, mulheres cheias de poder, lutadoras, que cuidavam dos filhos sozinhas, mas que sabiam apenas viver em grupo, fazer o que o grupo queria. Naquela vida, foi mostrado que muitas queriam mudar de caminho, mas com medo do que os outros iriam pensar não desafiavam as leis do clã. O medo do conflito, de colocar suas idéias predominava nesse grupo.

Este perfil se adaptou perfeitamente na minha cliente que confirmou seu medo da verdade. Quando conversamos ela me explicou que mesmo com os pais ela era assim medrosa, media as palavras, só dava sua opinião quando era chamada, e no trabalho ainda que tivesse idéias diferentes tinha muito medo de se expor. Com isso percebeu que estava ficando para trás, que gente mais jovem e menos preparada do que ela estava tomando a frente no trabalho, assumindo lugar de chefia, enquanto ela não recebia sequer uma promoção.

Falamos de auto-estima, de autovalorização, em honestidade, porque quando vamos cedendo, perdemos a alegria de viver e o amor próprio, acabamos por nos tornar pessoas falsas. Politicamente corretas, mas falsas.
"Não quero mais ser assim. Onde foi que me perdi?"

Pois é, amigo leitor, uma hora ou outra somos convidados a olhar para nós mesmos, para nossas posturas, e acertos íntimos.

Um coração mais doce, mais iluminado e compreensivo, com certeza, assegurará uma atitude mais honesta e, ao mesmo tempo, sábia e conciliadora. Mas não fuja do conflito quando necessário. Porque ir contra nossas idéias, aceitar coisas apenas para ficar bem com as pessoas, fortalece um verniz que pode estar acobertando um interior maltratado e cheio de doenças. É melhor assumir o que somos do que aceitar falsidades.

Assine o livro de visitas clicando nele!